Voltarei a escrever. Certo? Errado.

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“Faz 4 anos que Retrospectiva para focar” foi publicado.” Isso é o que o wordpress diz a mim em sua página inicial do aplicativo.
Faz tanto tempo que eu não passo aqui que não existiam a aplicativos à época da última publicação.
Por que voltar a escrever? Bem, não sei ao certo. Hoje eu ouvi alguém falando na rádio que era uma besteira esse papo que a vida começa aos 40, e que se fosse assim esta pessoa estaria morta a muito tempo. Confesso que não entendi bem a conotação, mas foi impossível não lembrar do BLOG… e aqui estamos.
Em um mundo de tanta evolução dos meios de comunicação, percebo no alto dos meus 24 anos que estou ficando saudosa. É sério, na minha época, quando esse negócio de blog começou, eu era uma garotinha brincando de fazer gifs (que aliás, agora voltou a moda), de templates coloridos que eram baixados em sites sem milhões de propagandas, e você ainda tinha que manjar um pouco de programação: o terrível HTML! (óóh \ö/)
Blogs influenciaram muito na minha vida, tanto que fiz 3 anos de um curso técnico em web design, o que acarretou na minha escolha de profissão:  virei advogada. Entenderam a ligação? Não? Nem eu.
Vamos voltar a escrever, no silêncio , para mim. Para meu público íntimo.

Juro que enquanto procurava um novo tema, havia mais assuntos para escrever. Precisam ver o texto maravilhoso que um dia formei em minha mente.

Retrospectiva para focar.

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Minha vida está uma confusão. Está tão perfeita. Essa é a confusão. Na verdade eu nunca tive maiores dificuldades na minha vida: não nasci em família rica e nem pobre.
Talvez meus pais tenham sido um grande problema, não como pais, mas como marido e mulher, e quando se vive na mesma casa de um casal confuso, você faz parte desse relacionamento marcado por idas e vindas, socos e alguns carinhos absurdos.
Antes eu não gostava de mim porque eu era fraca, chorava por tudo, não por tristeza, mas por raiva do que eu não podia dizer por respeito. Eu cresci e por um tempo eu me achei no direito de dar certas respostas sem sentir rancor, mas sim na posição da razão. Eu queria mudar o mundo de um jeito revolucionário, nem me importava tanto com a opinião alheia omitida. Eu tinha cor, vontade, objetivo e certeza deles.
Só que eu virei adulta, mulher, certo? Cheia de dúvidas, com algumas certezas, mas não com tanta certeza. Preciso estabelecer metas. Não ser uma pessoa dependente de livro de auto-ajuda. Voltarei a escrever. Certo.

A nossa vitória de cada dia.

Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

(Clarice Lispector, A nossa vitória de cada dia.)

Nota: Não conseguir ficar indiferente, a cada reportagem sobre as crianças do Rio, meu olhos ficavam cheios d’água. A escola foi para mim o elo entre a minha vida e o mundo, para elas foi o elo da crueldade dos homens com a morte. Enfim, a elas.

 

 

Difícil é ser emocional.

. transborda .

Sério, esse negócio de se apaixonar acaba com o nosso estilo de vida. Puta, que merda. O meu, por exemplo, era o racional. Eu sempre achei que se tudo fosse analisado previamente, não haveria razão alguma para explosões emocionais, no máximo raiva ou um rancor por não dá uma na cara de alguém, mas enfim. Viver é complicado, cada dia a mais me deparo com sentimentos jamais ocorridos na minha lista, o ciúmes é um deles, (talvez o principal, mas só talvez.) Ai que coisa irritante, te consome de uma ponta a outra, parece que vem de baixo – do inferno para ser mais precisa.  Permanece. Te deixa chata, irritante, mas tudo com muita classe, pois você é racional, não se esqueça. Continua, passa, te deixa tão ridícula. Seu lado racional aparece, depois de afogado em uma cena particular. Ressaca moral. Ódio, de você. Não aconteceu nada. Você para e pensa: ” Merda, o que aconteceu com você? ” Ou seja, só é racional aquele que nunca se apaixonou na vida, e olhe lá.

Defina felicidade.

Leve, leviano, próximos.

Tudo está bem. Não perfeito, apenas bem. Sabe aquelas lições de morais dignas de filmes da sessão da tarde? Não acredite nelas. A felicidade pode vir sem dor, sem guerras. Ela simplesmente aparece. Não há segredo, muito menos receita. Oras, que besteira. Ser feliz é tão simples e não é chato. Mas que coisa idiota achar que a vida sem muros é chata. Mais filme. É tão legal não ter do que exatamente do que reclamar, sua vida fica meio sem sentido se você estava acostumado a reclamar de tudo. Se você não acredita nisso, relaxe. O ônibus sempre vai atrasar, sempre vai chover no dia que você arruma o seu cabelo, você nunca saberá onde estão as chaves. Você vai dizer ” que inferno!”, vai ficar com raiva, vai se culpar, desistirá e irá culpar alguém, e depois de novo. É sempre assim, não assistem novelas? Se não for assim, que seja, não vou convence-los, isso não é uma dissertação, e muito menos um texto de auto-ajuda.

Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.

‘ Charles Chaplin.

Até que ponto chega o pensamento aberto?

A liberdade que choca.Lendo as últimas notícias da página do google, passo pelo caso do goleiro homicida, disputas presidenciais, novos códigos aprovados, uma me chama atenção: “Playboy explica capa sobre Cristo rodeado de mulheres“. Espere um momento: Playboy e Cristo em uma mesma frase? Vá dizer que você encontra isso com freqüência por ai? Enfim, voltando. Lendo a nota, que informa que a Playboy Portuguesa se explica como uma forma de homenagem ao escritor falecido (a não ser que Saramago era um antigo assinante da revista, não vejo ligação alguma) e que fica inconformada e não esperava a reação a imagem, pois é uma forma de arte incompreendida em sua essência.

Peço desculpa pela minha ignorância, pela minha criação cristã, ou até mesmo meu senso crítico, mas isso passa longe de uma forma de expressão. Mesmo aquelas ditas revolucionárias mantêm respeito ao seu conceito histórico, sua função política. Se a função era chocar, fez isso da pior forma. Mas me faz pensar a que ponto nós chegamos. Tudo vale a pena para chamar atenção, ficar para história? Toda forma de expressão deve ser respeitada? Vetar a publicação da revista torna uma o sistema ditatorial? Toda censura é ruim? Não sou tiete do governo, não sou carola de igreja, mas creio que tudo tem um limite, e vejo todos os dias, retratos mal feitos, comentários ferindo a honra, musicas degradantes, todas gritando em nome da arte para justificar o mau gosto, a má formação intelectual de quem as projeta.

Não digo só pelas minhas crenças, grito pela arte, pela inteligência, quero um mundo mais pensante, mais útil, até a bobeira tem que ter um propósito, até mesmo que o propósito seja propósito algum. De fato, acredito que existem limites e respeito. Mas deixe, isso é só bobagem mesmo.

Não podemos aceitar a teoria de que se o pé é grande e o sapato, pequeno, devemos cortar o pé. Temos de trocar de sapato. (Betinho)

Flashback egocêntrico.

 

E eu escrevo.
E eu escrevo.

E na última vez que escrevi eu era loira, tinha 17 anos, estava no ensino médio, não trabalhava. Era 2009, o Corinthians não tinha perdido a Libertadores no centenário. Meus pais eram casados. Meu quarto era menor. Minha diversão preferida era orkut e msn.
Durante, mudei, fiz 18 anos, montei a minha trup, fiz trabalhos voluntários, conclui meu tcc. Li todos o livros da Stephanye Meyer e os da Bruna Surfistinha – o que foi?  estava atrás de algo culto. – Passei no vestibular. Me formei. Não curti minhas férias.
E no momento, morena, próximo aos 19 ano, na faculdade, trabalhando a mais tempo do que queria. É 2010, o Brasil não vai ganhar a copa. Meus pais namoram, um com o outro.  Meu quarto é maior. Tenho um “vade mecum” e estou feliz por isso. Era para eu estudar economia, mas sei que não adianta.

Pronto, atualizei.

E depois de todas essa informações que irão mudar a história do mundo, colocarei algo inteligente de alguém.


Escrevo-vos uma longa carta porque não tenho tempo de a escrever breve.
‘  Voltaire.

Certo, isso não foi muito inteligente, mas o que aconteceu com quem passou por aqui?