Fogueira das vaidades.

Uma das coisas da vida adulta (é estranho admitir que eu sou adulta) é lidar com a vaidade, seja alheia ou seja a própria.

Trabalhando em um ambiente corporativo, extremamente competitivo, me questiono o seu papel.

Quando separamos a vaidade do orgulho?

“O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em ação.”

Fernando Pessoa

Tenho orgulho das minhas vaidades? As minhas vaidades são tão ridículas aos olhos alheios quando as vaidades alheias aos olhos meus?

Quando a vaidade de torna capricho? Quando a vaidade deixa de ser um momento para ser um estado?

Aaaah vaidade…

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Escrever para mim.

O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Fernando Pessoa

Escrever em um diário é uma coisa ultrapassada – me desculpem aqueles que mantém o hábito, afinal ele ainda é válido – mas, saindo do sentido literal, é muito bom escrever para você.

Vira e mexe encontro algumas coisas que escrevi antigamente – seja fuçando aqui, vendo o “neste dia” no facebook, achando algumas coisas no Google (quem nunca pesquisou o próprio nome na ferramenta?). Me deparar com essas lembranças traz a tona alguns sentimentos, claro. Às vezes de vergonha, de orgulho, de saudade…

A saudade bate sobre aquela pessoa que fui. Eu era muito mais criativa e crítica quando mais nova. Sinto até inveja daquela pessoa que existiu.

A saudade só não é maior porque eu também registrava muitos pensamentos que não tenho o mínimo orgulho. Nossa, como eu falava besteira! Eu, garota branca de classe média, achava que eu era onisciente em todos os campos, principalmente os sociais. Nem vou comentar os momentos embaraços que me prestei a passar. Já passou né? Não, tenho vergonha só de pensar.

Mas aí está: só de ver uma frase que escrevi anos atrás consigo refletir sobre aquilo que fui , o que me tornei e tento melhorar o caminho a ser percorrido.

É bom escrever. Escrever para sí é mais legal ainda. Em uma época de buscas de likes e corações, entender isso talvez seja uma evolução.

Bem, só vou saber isso quando eu ler esse post daqui a uns anos.

Voltarei a escrever. Certo? Errado.

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“Faz 4 anos que Retrospectiva para focar” foi publicado.” Isso é o que o wordpress diz a mim em sua página inicial do aplicativo.
Faz tanto tempo que eu não passo aqui que não existiam a aplicativos à época da última publicação.
Por que voltar a escrever? Bem, não sei ao certo. Hoje eu ouvi alguém falando na rádio que era uma besteira esse papo que a vida começa aos 40, e que se fosse assim esta pessoa estaria morta a muito tempo. Confesso que não entendi bem a conotação, mas foi impossível não lembrar do BLOG… e aqui estamos.
Em um mundo de tanta evolução dos meios de comunicação, percebo no alto dos meus 24 anos que estou ficando saudosa. É sério, na minha época, quando esse negócio de blog começou, eu era uma garotinha brincando de fazer gifs (que aliás, agora voltou a moda), de templates coloridos que eram baixados em sites sem milhões de propagandas, e você ainda tinha que manjar um pouco de programação: o terrível HTML! (óóh \ö/)
Blogs influenciaram muito na minha vida, tanto que fiz 3 anos de um curso técnico em web design, o que acarretou na minha escolha de profissão:  virei advogada. Entenderam a ligação? Não? Nem eu.
Vamos voltar a escrever, no silêncio , para mim. Para meu público íntimo.

Juro que enquanto procurava um novo tema, havia mais assuntos para escrever. Precisam ver o texto maravilhoso que um dia formei em minha mente.

Retrospectiva para focar.

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Minha vida está uma confusão. Está tão perfeita. Essa é a confusão. Na verdade eu nunca tive maiores dificuldades na minha vida: não nasci em família rica e nem pobre.
Talvez meus pais tenham sido um grande problema, não como pais, mas como marido e mulher, e quando se vive na mesma casa de um casal confuso, você faz parte desse relacionamento marcado por idas e vindas, socos e alguns carinhos absurdos.
Antes eu não gostava de mim porque eu era fraca, chorava por tudo, não por tristeza, mas por raiva do que eu não podia dizer por respeito. Eu cresci e por um tempo eu me achei no direito de dar certas respostas sem sentir rancor, mas sim na posição da razão. Eu queria mudar o mundo de um jeito revolucionário, nem me importava tanto com a opinião alheia omitida. Eu tinha cor, vontade, objetivo e certeza deles.
Só que eu virei adulta, mulher, certo? Cheia de dúvidas, com algumas certezas, mas não com tanta certeza. Preciso estabelecer metas. Não ser uma pessoa dependente de livro de auto-ajuda. Voltarei a escrever. Certo.

A nossa vitória de cada dia.

Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

(Clarice Lispector, A nossa vitória de cada dia.)

Nota: Não conseguir ficar indiferente, a cada reportagem sobre as crianças do Rio, meu olhos ficavam cheios d’água. A escola foi para mim o elo entre a minha vida e o mundo, para elas foi o elo da crueldade dos homens com a morte. Enfim, a elas.

 

 

Difícil é ser emocional.

. transborda .

Sério, esse negócio de se apaixonar acaba com o nosso estilo de vida. Puta, que merda. O meu, por exemplo, era o racional. Eu sempre achei que se tudo fosse analisado previamente, não haveria razão alguma para explosões emocionais, no máximo raiva ou um rancor por não dá uma na cara de alguém, mas enfim. Viver é complicado, cada dia a mais me deparo com sentimentos jamais ocorridos na minha lista, o ciúmes é um deles, (talvez o principal, mas só talvez.) Ai que coisa irritante, te consome de uma ponta a outra, parece que vem de baixo – do inferno para ser mais precisa.  Permanece. Te deixa chata, irritante, mas tudo com muita classe, pois você é racional, não se esqueça. Continua, passa, te deixa tão ridícula. Seu lado racional aparece, depois de afogado em uma cena particular. Ressaca moral. Ódio, de você. Não aconteceu nada. Você para e pensa: ” Merda, o que aconteceu com você? ” Ou seja, só é racional aquele que nunca se apaixonou na vida, e olhe lá.

Defina felicidade.

Leve, leviano, próximos.

Tudo está bem. Não perfeito, apenas bem. Sabe aquelas lições de morais dignas de filmes da sessão da tarde? Não acredite nelas. A felicidade pode vir sem dor, sem guerras. Ela simplesmente aparece. Não há segredo, muito menos receita. Oras, que besteira. Ser feliz é tão simples e não é chato. Mas que coisa idiota achar que a vida sem muros é chata. Mais filme. É tão legal não ter do que exatamente do que reclamar, sua vida fica meio sem sentido se você estava acostumado a reclamar de tudo. Se você não acredita nisso, relaxe. O ônibus sempre vai atrasar, sempre vai chover no dia que você arruma o seu cabelo, você nunca saberá onde estão as chaves. Você vai dizer ” que inferno!”, vai ficar com raiva, vai se culpar, desistirá e irá culpar alguém, e depois de novo. É sempre assim, não assistem novelas? Se não for assim, que seja, não vou convence-los, isso não é uma dissertação, e muito menos um texto de auto-ajuda.

Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.

‘ Charles Chaplin.